Diário de Aprendizagem - fórum obrigatório 2

Sobre o diário de aprendizagem

Sobre o diário de aprendizagem

por OSCAR CRISTOVÃO ANDIQUE -
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Após ter conversado com o chatGPT, percebi que o Diário de Aprendizagem é, antes de mais, um instrumento de metacognição, isto é, uma ferramenta que permite refletir sobre o próprio pensamento. Portanto, não se trata de um resumo do que o professor disse em aula, mas sim de um registo pessoal das reações, dúvidas, conexões e evolução face ao conteúdo estudado. Consequentemente, as suas vantagens são múltiplas: fixa a matéria a longo prazo, desenvolve o pensamento crítico, identifica lacunas de conhecimento e treina a escrita académica.


Contudo, surge frequentemente a tentação de recorrer ao ChatGPT para escrever o diário no lugar do estudante. Ora, essa prática é desaconselhável, pois a inteligência artificial resume informação, mas não sente a confusão inicial do aprendiz, nem possui a sua experiência prévia para estabelecer conexões únicas. Por conseguinte, um diário gerado por IA é genérico e raso, sendo facilmente detectado pelos professores pela ausência de "voz pessoal". Além disso, ao delegar essa tarefa a uma máquina, perde-se totalmente o benefício cognitivo, que é exatamente o objetivo do exercício.


No que diz respeito à frequência e ao momento de escrita, recomenda-se que o diário seja elaborado após a aula, preferencialmente nas 24 horas seguintes, ou no final do dia. Ademais, a periodicidade semanal é considerada ideal, uma vez que dá tempo para processar várias aulas seguidas, permite observar a evolução ao longo da semana e é suficientemente espaçosa para não se tornar um fardo diário, mas frequente o bastante para evitar o acúmulo de matéria. Cada entrada deve ter entre 300 a 500 palavras, o que corresponde a cerca de uma página A4, e o tempo despendido na sua redação deve ser de 15 a 25 minutos, não ultrapassando os 30 minutos, pois, caso contrário, estar-se-á a fazer um relatório e não um diário, cujo objetivo é a fluidez, não a perfeição.


Importa ainda salientar que o diário de aprendizagem pode ser utilizado para avaliação, tanto formativa como sumativa, em muitas universidades. Nesse contexto, o professor avalia a profundidade da reflexão, a honestidade intelectual, a capacidade de formular perguntas e de estabelecer conexões entre a teoria e a prática, e não propriamente se o estudante "acertou" na resposta.


Outro aspeto fundamental é a questão da falta à aula. Contrariamente ao que alguns possam pensar, a ausência não isenta o estudante de escrever o diário. Pelo contrário, deve pedir os apontamentos a um colega, ler o material disponibilizado na plataforma online e escrever sobre o processo de recuperação. Por exemplo, pode registar: "Faltei à aula X,mas li o capítulo Y. Fiquei com dúvida em Z porque...". Dessa forma, demonstra autonomia e responsabilidade.


Quanto à estrutura interna de cada entrada, esta deve conter entre 3 a 4 parágrafos, distribuídos logicamente. O primeiro parágrafo, que corresponde a cerca de 30% do texto, deve apresentar o contexto e o estado inicial do estudante, com apenas duas frases sobre o que foi abordado. O segundo parágrafo, ocupando 40% da entrada, é dedicado à análise, ou seja, ao momento “aha!”(momento em que uma ideia de repente faz sentido ou à maior dificuldade encontrada), explicitando o que causou confusão e porquê. Por fim, o terceiro parágrafo, com os restantes 30%, foca-se na conexão com o mundo real e no futuro, indicando como o conteúdo se aplica à vida do estudante e que pergunta será levada para a próxima aula.


Para garantir que nenhum destes elementos é esquecido, sugere-se a adoção do modelo "O quê? E então? E agora?". Primeiro, descreve-se brevemente o tópico abordado. Depois, regista-se o choque cognitivo, ou seja, onde se tropeçou ou o que surpreendeu. Finalmente, reflete-se sobre como integrar esse conhecimento e o que se pretende pesquisar ou estudar a seguir.


Em suma, o diário de aprendizagem é uma ferramenta poderosa quando usado com autenticidade e disciplina, e a sua eficácia depende inteiramente da honestidade intelectual e do esforço pessoal 

do estudante.