Crónica: conceito, tipos e exemplos

O que é crónica?

Crónica é um género textual em que se misturam características do texto lírico e do jornalístico. É bastante difundida, especialmente no meio escolar, porque apresenta temas do cotidiano em textos curtos, escritos com linguagem mais próxima do coloquial.

Características da crónica

Existem vários tipos de crónica e cada um deles apresenta suas particularidades. As características comuns a todos os tipos são:

  • Apresenta título.
  • É constituída por texto curto.
  • Usa linguagem simples, próxima do informal.
  • É publicada em jornal ou revista (ainda que depois os textos sejam reunidos em livro).
  • Discorre sobre factos do cotidiano.
  • Faz breve reflexão sobre a sociedade – às vezes, subentendida no texto.

Tipos de crónica

Como o conceito de crónica é muito amplo, existem os mais variados tipos. Para facilitar o estudo, elas serão divididas em três: literária, jornalística e argumentativa.

Crónica literária

Na crónica literária, existe uma preocupação com o uso estético da escrita. Figuras de linguagem, associações e imagens poéticas são utilizadas com o objectivo de desenvolver o lirismo do texto, para sensibilizar ou divertir o leitor. A sua estrutura é narrativa, e os elementos da narração normalmente são desenvolvidos da seguinte forma:

Espaço: limitado (um bar, um quarto). Às vezes nem é citado.

Tempo: predomina o tempo cronológico. Ou seja, o cronista narra as acções na ordem em que aconteceram, na maioria das vezes. É comum que sejam ambientadas no tempo presente, mostrando a reação dos personagens ou do narrador sobre temas políticos, económicos ou sociais e reflectindo sobre esses temas.

Narrador: pode ser em primeira ou terceira pessoa. Frequentemente é o próprio cronista, que se coloca como se estivesse observando a cena e expressa as suas considerações sobre ela.

Personagens: contém poucos, principalmente pela extensão do texto. Muitas vezes, são planos, isto é, não se observam grandes evoluções ou mudanças de carácter do personagem ao longo do texto.

Enredo: embora crónicas literárias sejam textos de ficção, elas se constroem com base em acções que seriam possíveis no cotidiano. Uma conversa entre amigos num café, um pai conversando com um filho, uma festa de aniversário são exemplos de situações que podem ser enredo de uma crónica. É comum também a presença de diálogos.

Crónica jornalística

A crónica jornalística também é um texto narrativo, muitas vezes confundido com a crónica literária. A diferença entre as duas é a ausência de lirismo. Isto é: o autor não escreve para emocionar ou divertir o leitor, mas para mostrar o seu posicionamento em relação a algum assunto. É um texto mais próximo da notícia do que da literatura. Dependendo da secção em que é veiculada, essa crónica pode ser chamada de desportiva, política, policial, etc.

Crónica argumentativa

O objectivo deste texto é permitir que o autor expresse as suas opiniões sobre um assunto de maneira leve e, muitas vezes, divertida. Para isso, utiliza-se a primeira pessoa. A estrutura é a mesma presente nos artigos de opinião, editoriais e colunas, composta por introdução, desenvolvimento e conclusão. No entanto, utiliza-se um tom menos formal e menos enérgico, já que a função não é convencer o leitor, mas mostrar as reflexões do autor sobre o tema.

Como fazer uma crónica?

A primeira coisa em que se deve pensar é o tema [não confundir com título]. Ele precisa de estar relacionado ao cotidiano e, na maioria das vezes, ao presente. Então, se o objectivo é escrever uma crónica narrativa, não é possível escolher uma história mística ou personagens fantásticos e sobrenaturais, por exemplo. Se o objectivo é escrever uma crónica argumentativa ou jornalística, é interessante pesquisar assuntos recentes que tiveram repercussão na media e escrever sobre eles.

Em seguida, pense que tipo de reflexão pode ser levantado sobre o tema. Por exemplo, se a imagem do cotidiano sobre a qual a crónica vai se desenvolver é uma pessoa fazendo malabarismo no semáforo, pode-se reflectir sobre desigualdade social, pobreza, valorização da arte, etc.

Depois de seleccionar o tema e o facto do cotidiano que vai ser explorado, começa a redacção do texto propriamente dita. As formas mais utilizadas para escrever uma crónica literária e uma crónica argumentativa são descritas a seguir.

Construção da crónica literária

A crónica literária normalmente desenvolve-se em tempo cronológico. Para isso, a organização mais comum do enredo é a que respeita a ordem a seguir:

Apresentação: são revelados os factos iniciais da história e os personagens envolvidos. O local, o tempo e o conflito também podem ser inseridos.

Complicação: a normalidade mostrada na apresentação é quebrada. Com isso, os personagens precisam de agir para resolver o problema e criar uma nova normalidade. É a maior parte do texto.

Clímax: é o momento de maior tensão da história, no qual o conflito atinge o ponto máximo. É bem curto, especialmente na crónica, podendo ser um parágrafo ou parte de um parágrafo.

Desfecho: é o momento em que o conflito se resolve e uma nova normalidade é instaurada. No caso da crónica, pode ser usado também para alguma reflexão do autor.

Construção da crónica argumentativa

No caso da crónica argumentativa, a estrutura é a mesma do texto dissertativo, ou seja, divide-se em introdução, desenvolvimento e conclusão. O texto, entretanto, é mais leve e usa um vocabulário menos formal. É escrito em primeira pessoa.

Introdução: é apresentada a tese, ou seja, o tema e o motivo pelo qual o autor resolveu escrever sobre ele. É comum que haja um trecho narrativo para introduzir o tema.

Desenvolvimento: apresentam-se as razões pelas quais o autor defende determinada opinião. Embora os argumentos devam ser desenvolvidos e justificados, não há necessidade de dados estatísticos, factos ou falas de especialistas que o comprovem. Basta um posicionamento consistente – relatos de experiências pessoais ou argumentos que se justificam apenas pela preferência do autor –, organizados de forma lógica, coerente e coesa. O propósito do texto não é convencer o leitor, mas apresentar como o autor pensa e se sente sobre aquele assunto.

Conclusão: retoma os principais elementos do texto e apresenta um comentário do autor, geralmente convidando o leitor a alterar uma realidade indesejada ou a reflectir sobre problemas ao seu redor.

História da crónica

A palavra “crónica” vem do grego kronós, que se refere a tempo. Dessa forma, esse género textual nasceu na Idade Média com o objectivo de narrar os acontecimentos numa sequência temporal. Durante as Grandes Navegações, serviu também para apresentar os relatos dos navegantes.

No século XIX, na França, a crónica começou a apresentar as características actuais. Era publicada no rodapé dos jornais, espaço chamado de folhetim, e contava, muitas vezes, com histórias divididas em capítulos diários. Ainda que fosse escrita com certo teor poético, manteve a característica de discutir assuntos do cotidiano, de forma leve e com o objectivo de distrair o leitor.

Carolina Sueto Moreira, Professora de Português

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Última alteração: quarta-feira, 1 de novembro de 2023 às 13:41